Fedra Renisar
O
Ashley Madson expôs as vísceras
putrefatas de uma instituição aviltada por dogmas, religiosos ou não. A
sacritude do matrimônio, a força de uniões que se mantêm sobre alicerces
pétreos que formam os pilares inabaláveis do casamento. Revelou-se o que todos
já sabiam. O que muitos praticam, dentro e fora da rede. A sedução do proibido.
A ilusão da privacidade. O direito de ter desejo e satisfazê-lo.
Em recente
pesquisa, a autora perguntou “Quando uma pessoa, comprometida com outra, pensa
em outro alguém, – de forma íntima - mesmo que nunca tenha estado com aquela
pessoa, É TRAIÇÃO”?
Os 20
participantes, com idade entre 24 e 70 anos, solteiros, casados, divorciados,
viúva, namorados e união homo afetiva, responderam: NÃO; 30%. SIM, 40% e se
abstiveram de responder (!?), 30%.
No caso do tornado famoso site de
relacionamentos, onde casados, homens e mulheres – e os que se fazem de-,
mantêm relacionamentos extra conjugais, o barulho foi pela falta de segurança
do site. Afinal, qual a verdadeira questão? Segurança na rede ou hipocrisia nos
relacionamentos?
O assunto não é
novo. É até bem surrado. Sexólogos explicam casamentos duradouros no passado,
com o modelo de então. A mulher tinha o papel preponderante de dona de casa,
mãe etc. Casava-se com um homem que fosse provedor e respeitador – quem quer
marido respeitador?
E, quem acima de 60, não se lembra dos
incontáveis casos de senhores “bem” casados que, quando faleciam, aparecia uma
família inteira paralela, para reivindicar seu quinhão?
E, quem também
não se lembra de Nelson Rodrigues, que se baseava na realidade para tecer seus
contos sobre infidelidades cabeludas? Ou seja, o homem fingia que era sério e
fiel. A mulher, que era assexuada e feliz no seu frígido papel. Quem se dava
bem era o amigo consolador. Aquele a quem o marido pedia para fazer companhia à
patroa enquanto ele dava seus pulinhos.
Ainda segundo a
opinião de sexólogos, o casamento só se complicou com a liberação da mulher.
Quando o amor e o sexo prazeroso passaram a fazer parte da relação, a situação escancarou. Veio
o direito de controlar o outro.
Escapada não dá para esconder, tem cheiro.
Discutir abertamente desejos, fantasias e
frustrações, poderia ser uma saída para uma união em crise. Talvez funcionasse,
desde que aquela certeza que todos têm de que a culpa é do outro, não
atrapalhasse.
O que falta? Segurança
ou honestidade?

Gostei da pergunta "Segurança na rede ou hipocrisia nos relacionamentos?"
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