Fedra Renisar
Tem
dia de tudo, das mães, dos pais, dos avós, do santo do seu nome etc.
Tem “Dia dos
Velhos”?
Devia ter. Com
direito à sessão de fotos antigas, músicas de Vicente Celestino e contemporâneos,
sanduiches de queijo Palmira, reminiscências sobre quem já se foi, desfile do
vestido e terno do primeiro baile, estórias engraçadíssimas daquela época. Relembranças
de reclames famosos como o do bonde (...!), onde um desenho mostrava uma linda
moça sentada, de pernas cruzadas “Veja o ilustre passageiro, o belo tipo
faceiro que tem ao seu lado. E, no entanto acredite, quase morreu de bronquite.
Salvou-o o Rhum Creosotado”. Lembrou, não é?
Pior do que isso
é sentar ao lado de um. Vai que o ser esteja carente. Começa o papo sobre
doença e remédio, farmácias e variação de preços. _Está tudo um absurdo minha
filha (?). _ A senhora também está doente? _È diabética? Acham essa pergunta
infalível. Difícil de errar, pois cerca de dez por cento da população, são. Aí,
o assunto está garantido.
Se,
inadvertidamente, você deixar a conversa escorregar para o âmbito familiar e
cair na nora... Sugestão: Dê um tapa no pulso, – tipo homem quando está dando
uma escapadinha e já resolveu sua parte – e caia fora. Se ficar, você corre o
risco de sair do clínico para o psiquiatra.
Esse é o velho
clássico, aquele que chamam de “liiiiindo”. O que sai do consultório médico com
o papo em dia, arrastando os pezinhos, com os óculos pendurados na correntinha.
Na mão, como um troféu conquistado, a receita que garante a ida à drogaria.
Pendurado no braço, o envelope enorme, de um laboratório de imagens, que será
guardado com todo o cuidado, até fazer parte da fogueira que sucede o carimbo
na caixa – eufemismo para enterro.
Mas há também o
velho atual, aquele que não se sente com a idade que tem. Aí, a desgraça está
completa. Eles estão em todos os lugares. A roupinha - tipo uniforme -, de saia
com cintinho em cima da barriga. A propósito, barriga é cultural. Todo brasileiro
tem. Os homens, de barrichope e as mulheres, a barriga “de família”.
Na academia, se
liberam. Elas usam top – com as costas no pescoço e peitinhos pendentes- com
leg abaixo da cinturinha (?!). Eles, camisetas “mamãe, olha como eu sou forte”,
com ombrinhos murchos que denunciam uma decadência negada com todas as forças –
que já se foram há muito. Atestado com firma reconhecida!
Essa estória de
que, quem gosta de velho é drogaria, clínica médica, cuidadora, padaria, casas
de chá e supermercado – como comem (!)- tem de tomar outro rumo.
Ainda resta uma
esperança. As excursões de fim de semana para lugares próximos, matinês de teatro entre outros. Ah, o
bailinho de desmanche com babador no ombro.
Brincadeiras
à parte, de lá saem alguns pares ainda aptos a estripulias românticas, tipo Fênix-O
pássaro que renasce das cinzas.
| Imagem do Google |
Adorei esse, quando vc falou do sanduiche de queijo palmira me lembrou do tempo em que minha era viva, ela adorava esse queijo e eu sempre comia esse tal sanduiche!!!!!
ResponderExcluirOnde se ler Ana Eduarda é Ana Lucia!!!!! Postei errado!!!!!
ResponderExcluirVou ver se concerto!!!!!
ResponderExcluir