sábado, 7 de novembro de 2015

DESISTIR? JAMAIS!


Fedra Renisar
Tem dia de tudo, das mães, dos pais, dos avós, do santo do seu nome etc.
Tem “Dia dos Velhos”?

Devia ter. Com direito à sessão de fotos antigas, músicas de Vicente Celestino e contemporâneos, sanduiches de queijo Palmira, reminiscências sobre quem já se foi, desfile do vestido e terno do primeiro baile, estórias engraçadíssimas daquela época. Relembranças de reclames famosos como o do bonde (...!), onde um desenho mostrava uma linda moça sentada, de pernas cruzadas “Veja o ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que tem ao seu lado. E, no entanto acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rhum Creosotado”. Lembrou, não é?

Pior do que isso é sentar ao lado de um. Vai que o ser esteja carente. Começa o papo sobre doença e remédio, farmácias e variação de preços. _Está tudo um absurdo minha filha (?). _ A senhora também está doente? _È diabética? Acham essa pergunta infalível. Difícil de errar, pois cerca de dez por cento da população, são. Aí, o assunto está garantido.
Se, inadvertidamente, você deixar a conversa escorregar para o âmbito familiar e cair na nora... Sugestão: Dê um tapa no pulso, – tipo homem quando está dando uma escapadinha e já resolveu sua parte – e caia fora. Se ficar, você corre o risco de sair do clínico para o psiquiatra.

Esse é o velho clássico, aquele que chamam de “liiiiindo”. O que sai do consultório médico com o papo em dia, arrastando os pezinhos, com os óculos pendurados na correntinha. Na mão, como um troféu conquistado, a receita que garante a ida à drogaria. Pendurado no braço, o envelope enorme, de um laboratório de imagens, que será guardado com todo o cuidado, até fazer parte da fogueira que sucede o carimbo na caixa – eufemismo para enterro.

Mas há também o velho atual, aquele que não se sente com a idade que tem. Aí, a desgraça está completa. Eles estão em todos os lugares. A roupinha - tipo uniforme -, de saia com cintinho em cima da barriga. A propósito, barriga é cultural. Todo brasileiro tem. Os homens, de barrichope e as mulheres, a barriga “de família”.
Na academia, se liberam. Elas usam top – com as costas no pescoço e peitinhos pendentes- com leg abaixo da cinturinha (?!). Eles, camisetas “mamãe, olha como eu sou forte”, com ombrinhos murchos que denunciam uma decadência negada com todas as forças – que já se foram há muito. Atestado com firma reconhecida!

Essa estória de que, quem gosta de velho é drogaria, clínica médica, cuidadora, padaria, casas de chá e supermercado – como comem (!)- tem de tomar outro rumo.
Ainda resta uma esperança. As excursões de fim de semana para lugares próximos, matinês de teatro entre outros. Ah, o bailinho de desmanche com babador no ombro.

Brincadeiras à parte, de lá saem alguns pares ainda aptos a estripulias românticas, tipo Fênix-O pássaro que renasce das cinzas.

Imagem do Google

3 comentários:

  1. Adorei esse, quando vc falou do sanduiche de queijo palmira me lembrou do tempo em que minha era viva, ela adorava esse queijo e eu sempre comia esse tal sanduiche!!!!!

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  2. Onde se ler Ana Eduarda é Ana Lucia!!!!! Postei errado!!!!!

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