CURA DA DEPRESSÃO COM DERRUBADA DAS LEIS DA FÍSICA E DA
MATEMÁTICA
Fedra Renisar
No metrô,
entre o Centro e Botafogo, pensei em ir
ao supermercado Mundial – achando ser a única, numa quarta-feira, às 14h.
Quando tentei adentrar o recinto, me deparei com um mar de
gente. Carrinhos de diversos tamanhos, cestas com pontas assassinas e objetos
pontiagudos fazendo vítimas pelos quatro lados, além de carrinhos de feira (?!)
conduzidos por ambidestros ágeis – uma das mãos puxando o carrinho atrás de si
e a outra, lançando objetos dentro do mesmo. Entre a mão e o carrinho, vários
pés se desviavam, num verdadeiro balé no inferno.
Num show, são nove pessoas por metro quadrado. Aí vai a
primeira derrubada. Lá, são 100!! A segunda, que confirma a primeira, no
Mundial, dezenas de corpos ocupam o mesmo lugar no espaço. Duvida? Vai lá!
Chegar ao corredor desejado pode ser uma aventura. Se, a
matemática afirma que a menor distância entre dois pontos é uma reta lá, são
infinitas elipses. Quando se pensa estar prestes a entrar no mesmo, vê-se que
dúzias de carrinhos e cestinhas, disputam heroicamente um espaço com aquela
jangada de reposição que promete ceifar tornozelos, caso os mesmos não cedam o
posto rapidamente.
Tendo finalmente conseguido alcançar três litros de leite e
uma promoção de duas latas de leite em pó + Nesfit (grátis) e um pacote de
café, fui me colocar num lugar na fila de um caixa rápido – outra derrubada. No
salão, com trocentas caixas dispostas em L, era impossível saber qual era a
fila certa. Era um tal de com licença, sem licença, empurrões e “estou aqui” e
“ali”, que foi melhor relaxar e ir sendo levada pelo fluxo, para saber onde
iria chegar. Finalmente, avistei um caixa rápido, para 15 volumes, com cinco
pessoas à minha frente. Nessa hora, a sensação era de puro júbilo.
Como felicidade nunca é completa, a moçoila à minha frente,
esqueceu de pesar o frango. Detalhe, com essa facilidade de circulação, as
balanças são posicionadas no extremo oposto aos caixas, no fundo do mercado.
Enfim, tudo somado, cerca de uma hora nesse ambiente e uma economia
de R$10,00.
Não valeu? Claro que sim! A depressão? Ih,esqueci!!