Fedra Renisar
(...) é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Fernando Pessoa
Iguais se
atraem. Mais para o mal que para o bem. Mentir se torna um hábito. Hábito, em
doença. Doença transmissível. Para buscar a cura é preciso reconhecer a doença.
Mentira que fere, atinge até crianças e desrespeita, sem pudor, a lei – com o
auxílio daqueles que deveriam fazê-la (a lei) soberana, mas compactuam da
imoralidade ditada pela vingança. Vingança de a rejeição causada pelos seus
próprios atos sórdidos, cínicos e imorais. Tudo temperado com mentiras,
mentiras, mentiras...
O mentiroso
contumaz confunde a realidade com a fantasia. A fantasia passa a ser a sua
realidade. Pior, nem percebe mais o quanto suas mentiras são óbvias, até as
crianças percebem. É uma doença que passa de mãe para filho. Todos veem, ninguém
protesta. Cresce o monstro que poderia ter sido domado de início. É só uma
mentirinha! E elas, as mentiras, vão proliferando. No seu caminho vão ficando os
pedaços de dois álbuns infantis, onde a imagem de reposição se apagou. Era fake.
Uma mentira repetida mil vezes se torna
verdade. Sim, para os pobres de espírito que perderam a Guerra.
A mentira
fede. Seu odor pútrido só é suportado pela carência de quem não sabe envelhecer
e aceita até compartilhar o lixo rejeitado.
Só quem conviveu
intimamente com um fingidor consegue apreender esta mensagem.
A capacidade de mentir, quando a mentira está
arraigada no (mau) caráter daqueles que dela se utilizam habitualmente, a ponto
de mesclarem realidade e fantasia, levando à audácia de mentir até mesmo à
Justiça, sem pejo de envolver quem se recusa aceitar evidências mais do que
comprovadas, nos deixa uma reflexão: Seria mais um encontro de iguais?
Assustador!
A mentira, a
esse ponto, é uma doença. O mentiroso...