sábado, 24 de abril de 2021

A FACE DE UM MENTIROSO

Fedra Renisar 

(...) é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.  Fernando Pessoa

Iguais se atraem. Mais para o mal que para o bem. Mentir se torna um hábito. Hábito, em doença. Doença transmissível. Para buscar a cura é preciso reconhecer a doença. Mentira que fere, atinge até crianças e desrespeita, sem pudor, a lei – com o auxílio daqueles que deveriam fazê-la (a lei) soberana, mas compactuam da imoralidade ditada pela vingança. Vingança de a rejeição causada pelos seus próprios atos sórdidos, cínicos e imorais. Tudo temperado com mentiras, mentiras, mentiras...

O mentiroso contumaz confunde a realidade com a fantasia. A fantasia passa a ser a sua realidade. Pior, nem percebe mais o quanto suas mentiras são óbvias, até as crianças percebem. É uma doença que passa de mãe para filho. Todos veem, ninguém protesta. Cresce o monstro que poderia ter sido domado de início. É só uma mentirinha! E elas, as mentiras, vão proliferando. No seu caminho vão ficando os pedaços de dois álbuns infantis, onde a imagem de reposição se apagou. Era fake.

 Uma mentira repetida mil vezes se torna verdade. Sim, para os pobres de espírito que perderam a Guerra.

A mentira fede. Seu odor pútrido só é suportado pela carência de quem não sabe envelhecer e aceita até compartilhar o lixo rejeitado.

Só quem conviveu intimamente com um fingidor consegue apreender esta mensagem.

  A capacidade de mentir, quando a mentira está arraigada no (mau) caráter daqueles que dela se utilizam habitualmente, a ponto de mesclarem realidade e fantasia, levando à audácia de mentir até mesmo à Justiça, sem pejo de envolver quem se recusa aceitar evidências mais do que comprovadas, nos deixa uma reflexão: Seria mais um encontro de iguais? Assustador!

A mentira, a esse ponto, é uma doença. O mentiroso...

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