domingo, 20 de março de 2016

PARQUINHO DE DIVERSÕES


"Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."                                                                             Sartre

Fedra Renisar
As redes sociais são um divertimento. Tudo é divertido, até as pessoas.  Tentamos trazê-las para a realidade e as tratamos como se fossem um aparelho eletrônico novo. Examinamos o design, pesquisamos o que ele tem a mais e – se não for tão interessante -, desistimos.  Ninguém se mostra realmente. Perfis são construídos com todos os elementos da fantasia, surgem e somem. Fotos raramente correspondem à realidade.

As redes sociais – parquinho de diversões virtual–-, onde pessoas são brinquedos a serem usados e sentimentos são manipulados através de um teclado, devem satisfazer a um grupo niilista, protegido pelo estereótipo comum à classe. São interessantes, descontraídos, divertidos e vivem sós – dizem. O meio virtual faz aflorar todo tipo de desejos, desde os mais simples – seduzir e sumir – como os mais complexos. Há de se observar certo cuidado.

O que mais seduz nesse ambiente é a possibilidade de ocultação dos participantes. O ser incógnito pode tudo, pois tem a sensação de poder ilimitado.

Vem o encontro. Somos seres visuais. O que primeiro nos atrai é a aparência. Desejamos o belo em toda a sua exuberância. O presente sonhado tem de vir numa linda embalagem que, se aberta sem o devido cuidado, pode fazer falta para complementar o conteúdo. Passado o prazer da remoção do que oculta objeto tão esperado, nos defrontamos com tudo que sonhamos ter. Ou não!

Fica a experiência. E, toda experiência que não causa grandes danos, é válida. Algo como uma bolsa nova, que apesar de não valer o que custou, pode ser usada em várias ocasiões sem fazer feio. De fato, não se deve nivelar tudo “por baixo”, mas tentar seduzir se realmente houver interesse, pode ser sinal de bom caratismo. Coração aberto, correção e honestidade devem ser reservados para quando surgir uma imagem que os reflita.

A identificação de profissionais internautas é fácil. Todo ser que alcança algum sucesso com encenações tipo filme B, tende a pensar que é espertíssimo. Usa frases feitas, se desfaz em gentilezas, age como se fossem já conhecidos, mesmeriza - pensa! Em geral, fala com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, tipo metralhadora giratória. A preservação de sentimentos cabe aos interessados, jamais aos profissionais.

Para aqueles que não desejam fazer parte desse roteiro de quinta, a identificação precoce de esse ser histriônico, pode economizar tempo e evitar desgaste. Ainda há muito a ser descoberto, mesmo na Rede. Se nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que é opaco tem pouco valor. Perfis não tão brilhantes podem ocultar bons princípios, um excelente caráter e respeito pelos demais.

Assim como nas lojas, também nas redes sociais, objetos e pessoas estão expostos para serem escolhidos e comparados através de belas fotos, que podem ocultar um interior nem sempre apreciável.


Está aberto o jogo, entra quem quer. São aulas reais sobre o mundo virtual.  

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